06 de julho de 2026 · Equipe Jefacil
Sistema para loja de calçados: grade de numeração, troca e o par que encalha
Calçado é o varejo onde a grade decide tudo. Como controlar estoque por numeração, lidar com troca e devolução, e enxergar o encalhe antes que ele vire capital parado.
Loja de calçados tem uma característica que muda tudo: o produto não é o modelo, é o par. Um tênis não existe — existe o tênis 39, o 40 e o 41, e eles vendem em ritmos completamente diferentes.
Quem controla estoque por modelo não controla estoque nenhum.
1. Grade de numeração é obrigatória, não opcional
Cada combinação de modelo + cor + numeração precisa ser um item de estoque próprio, com saldo próprio.
O que isso destrava:
- Saber que o 41 acabou enquanto o 44 está encalhado — a informação mais importante da loja.
- Repor a grade certa em vez de comprar mais do que já sobra.
- Não prometer no balcão o que não tem.
Sem grade, o sistema diz “12 unidades desse tênis” e você descobre no pé do cliente que os 12 são do mesmo número.
Na prática isso se resolve com variação de produto: o mesmo modelo com atributos de cor e tamanho, cada variação com SKU próprio e saldo próprio — tratada pelo estoque como se fosse um produto independente. Veja catálogo.
No Jefacil, o saldo por variação é hoje um número por empresa, não por loja. Para a loja única (a maioria do setor) isso resolve inteiro. Se você tem duas lojas e precisa saber quantos 39 estão em cada uma, essa separação ainda não existe — vale saber antes de decidir.
2. Curva de tamanho: onde o dinheiro fica preso
Aqui está a análise que separa a loja que gira da que acumula.
Toda loja de calçados tem uma curva de venda por numeração — os números do meio saem muito, as pontas saem pouco. E quase todo fornecedor vende em grade fechada, empurrando as pontas junto.
O resultado, ano após ano: o estoque parado da loja é feito das pontas da grade.
O que fazer:
- Meça a sua curva real de venda por numeração, não a curva “do mercado”.
- Negocie grade aberta ou proporção customizada onde der.
- Liquide as pontas na temporada, não depois. Calçado fora de estação perde valor rápido — segurar por mais seis meses quase nunca melhora o preço.
Veja giro de estoque e curva ABC de produtos.
3. Troca é rotina, e precisa ser limpa
Calçado é o item com mais troca do varejo — número errado, apertou, presente que não serviu.
Tecnicamente, troca são duas operações: uma devolução (o par volta ao estoque, na numeração certa) e uma venda nova. Registrar como “troca” genérica deixa o estoque das duas numerações errado.
E se houve diferença de valor, ela precisa aparecer como venda. Veja nota fiscal de devolução.
Uma política de troca escrita e visível — prazo, estado do produto, com ou sem nota — resolve a maior parte do atrito no balcão.
4. Comissão de vendedor sem virar briga
Loja de calçados vive de atendimento: alguém traz três pares do estoque, calça o cliente, e converte. Comissão é padrão do setor.
O que precisa estar no sistema:
- Venda vinculada ao vendedor que atendeu.
- Percentual por vendedor ou por produto, com o valor congelado na venda (mudança de percentual não pode reescrever comissão antiga).
- Devolução revertendo a comissão — senão você paga comissão de venda que não existiu.
Veja comissão de vendedor e comissão e meta.
5. Sazonalidade e coleção
Calçado tem estação e tem moda. Duas consequências:
A compra é antecipada. Você imobiliza capital antes da temporada. Veja capital de giro para lojista.
O item envelhece. Diferente de arroz, um par de coleção passada perde valor de venda mesmo intacto. Isso torna o giro mais importante que a margem unitária: segurar por margem é como perder devagar.
Regra prática que funciona no setor: defina uma data de liquidação antes de comprar, não depois de encalhar.
6. Vender online muda o cadastro
Se você quer vender em marketplace ou loja própria, a grade precisa estar impecável: cada numeração com estoque real, e o GTIN preenchido para a plataforma casar o anúncio com o catálogo dela.
Anunciar sem controle por numeração é receita de venda cancelada — que na plataforma custa reputação, não só a venda. Veja código de barras EAN e loja física e online.
Checklist
- Estoque por modelo + cor + numeração, cada um com saldo.
- Curva real de venda por numeração medida.
- Grade aberta negociada onde possível.
- Troca registrada como devolução + venda nova.
- Política de troca escrita e visível.
- Comissão por vendedor, congelada na venda e revertida na devolução.
- Data de liquidação definida antes da compra.
- GTIN preenchido se for vender online.
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